Cheirinho de manjericão

Pequeninas coisas me fazem mais feliz. Hoje, ao meio dia, cortei um galhinho de manjericão e veio logo à mente uma memória da infância. Dos tempos inocentes das férias escolares na casa da vovó, praticando o melhor do brincar de comidinha.

Onde eu e minhas vizinhas de temporada brincávamos de cozinhar sem fogo, com água, areia e folhas secas das plantas da minha vó, Maria.

Passávamos horas fantasiando ocasiões para banquetes regados a muita sujeira, que chamávamos de comida. Tudo era colocado em pratinhos de bonecas e sim havia o momento da degustação, também de mentirinha.

Ao fim do dia observei alguns pássaros se recolherem em bando, como sempre em formato v, para ajudar na aerodinâmica, presumo.

Parece até bobice escrever sobre isso, mas me deu uma vontade de registrar, e tudo que faz bem deve ser praticado.

Até logo,

Lara 🙂

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Qualidade de vida

Agora é dar qualidade de vida pra ele, cuidar dele e é isso.”

Arlindo sofreu um acidente vascular cerebral hemorrágico em março de 2017, depois de passar mal em casa, e ficou quase um ano e meio internado. O músico recebeu alta há quatro anos e, desde então, faz sessões de fonoaudiologia e de fisioterapia.

Patrícia Dias – Matéria completa PurePeople

Quando ouvi a fala da Babi Cruz – sambista e esposa do também músico e compositor Arlindo Cruz – tive um daqueles momentos em que a frase sobressai nos pensamentos e vem logo aquele por que curioso.

O porquê de a qualidade de vida ser uma busca de quem não tem outra escolha. Digo por mim, por mais que entenda o momento em que tudo aconteceu comigo, se eu tivesse buscado uma vida com qualidade, não teria precisado de tratamentos, cirurgias e medicamentos.

Aos 9 anos de idade, recém-diagnosticada com diabetes, a minha única preocupação era não ser pega quando consumia o que não devia. Foi preciso 14 anos de travessuras para enfim colocar a qualidade no meu viver.

E digo que não me arrependo de tudo que vivi porque sentir isso não me leva a nada, fui o que pude ser naquele momento e hoje não sou mais aquela criança.

A questão é que as nossas prioridades, na maioria, não levam em conta o que a gente precisa de verdade – em todos os sentido – e de repente outra pergunta surge desse circuito, para quê estamos vivendo se nem nos é possível viver bem?

Será que nascemos para sofrer, adoecer, ganhar dinheiro, ser o número um em algo, ter a melhor casa … ou vivemos para ser alguém que ouve o sussuro dentro da gente que diz o devemos fazer para nós e para os outros.

Já ouviu esse sussuro? Ele brinca com a gente, faz umas cócegas no peito e clama para que o escutemos.

Como por exemplo: Ligue para fulano … deixe um pedaço para beltrano … não faça isso! … escute a sua mãe … não seja cruel …

O problema é que nem sempre o escutamos e ele vai ficando cada vez fraco até não soar mais. E o resultado é o isolamento já que o sussuro é um guia e tanto para boa convivência.

Enfim, são tantas coisas … só queria deixar registrado um pouquinho das minhas abobrinhas. E se você puder, escute o seu sussuro.

Até logo,

Lara

A cara da foto

Um dia durante o ensino médio conversava com colegas durante o intervalo entre uma aula e outra. Todos pareciam normais até um deles ter a ideia de tirar uma selfie. À época era novidade, mas o que me chamou atenção mesmo foi a mudança de expressão do mesmo que sugeriu o registro.

Foi tão repentina a saída daquele que estava ali presente para a chegada daquele que permaneceria por um tempo fixo em uma fotografia, até o dia em que fosse jogado fora da galeria do celular.

Aquilo foi tão estranho porque não costumo sorrir sem motivo, esboçar o que não seja – minimamente – verdadeiro. E não o julgo por conseguir, mas porque é preciso?

Eu não sei, mas não me esqueço também do dia em que me apresentei em um teatro dançando ballet e o sorriso era parte do figurino, mas alguma coisa soava estranha, tanto que ao invés de sorrir eu abria e fechava a boca, feita uma sanfona.

Lembrando disso sim é que dá vontade de sorrir, sei lá. A quem se quer enganar com a cara da foto é a pergunta que deixo por aqui.

Até logo,

Lara